Quinta Maravilha


Wadi Musa - Jordânia, 16 de maio de 2011.

Conheci um outro brasileiro no mesmo quarto do hotel aqui em Wadi Musa (Vale de Moisés, em árabe) e saímos juntos para rodar. É uma cidade bem pequena rodeada por montanhas onde todos vem para conhecer o principal atrativo, uma outra Maravilha do Mundo : Petra. Uma cidade esculpida na pedra por volta de 300 AC pelos Nabateus, onde era rota das caravanas que passavam rumo à Arábia. São palácios, tumbas, grutas esculpidas nas montanhas ao longo do vale. É um lugar enorme onde muitos passam três ou quatro dias para explorar, em um dia caminhando durante nove-dez horas fiquei satisfeito, sobrou até tempo de ficar um tempo sentado diante do “tesouro” , o palácio principal(na verdade os arqueólogos acreditam que foi utilizado como uma tumba) que é o cartão postal de Petra, e ficar imaginando aquele monumento intacto a mais de dois mil anos atrás e as caravanas de tribos nômades cruzando aqueles vales, estreitos e altíssimos corredores de rocha.  É realmente interessante tudo aquilo esculpido nas rochas que por si só já chamam atenção pela sua forma esculpida pela natureza. Antes de se tornar uma das 7 Maravilhas, Petra já era famosa por ter sido local onde foi filmado “Indiana Jones - e a última cruzada”.
Eu e meu parceiro mineiro, nos vales da entrada de Petra

O Tesouro, cart'ao postal de Petra



Contemplando a cidade rosa-vermelha.



 As paisagens aqui na Jordânia são todas bem parecidas, como um grande deserto. E as cidades também são todas no mesmo estilo, tranquilas e monocromáticas, situadas no vale das montanhas. No meu primeiro dia aqui foi relax rodando pela vila que não tem nada de interessante, sendo mais movimentada pelo turismo. Aproveitei as montanhas ao redor cidade para subir e curtir o por-do-sol que foi diferente, não sei se é poeira do deserto, mas o sol foi se escondendo por trás de uma imensa nuvem antes de sumir no horizonte. 
Wadi Musa, do alto

O sol se escondendo na imensa nuvem

Descobri esse gosto por montanhas, gosto de sentir o clima, o vento, o visual do alto de uma montanha. Na verdade descobri várias outras coisas que gosto, por estar fazendo atividades tão diferentes durante essa viagem. Talvez seja por isso que não senti em momento algum monotonia, tristeza ou vontade de voltar pra casa, por estar sempre mudando de cidade e estar sempre fazendo atividades diferentes, mesmo estando sozinho. Deve sentir isso, esse sentimento de vazio e de se perguntar:o que eu tô fazendo aqui?... quem tem moradia fixa em outra cidade longe da família e dos amigos, e deixa a vida cair na rotina. Um dia eu estou conhecendo fortes e palácios, outro eu estou andando por cidades de cultura completamente diferente da nossa, outro eu estou num deserto, numa praia, templo, mesquita, museu, montanha...um dia é diferente do outro, bastante diferente. E quando troco de país a contagem volta a zero e começo a viver numa realidade completamente nova, com novas descobertas e sentimentos. Não sobra tempo para a mesmice, a injeção de novidade é constante e diária.

 É bacana sentir como a nossa forma de ver as coisas vai ficando diferente. Como nossos olhos vão ficando treinados.  Quando não se conhece nada do mundo, para quem nunca viajou e sentiu na pele a realidade de outros países, principalmente da Ásia, sempre faz uma comparação com a referência do Brasil. Depois de eu ter passado todos esses meses trocando de países na Ásia e sentido bem outras atmosferas(tive tempo pra isso), na hora de analisar qualquer coisa, seja um comportamento ou uma comida de algum outro país, passo a colocar na lista de  comparação os outros países por que passei, tudo que vi. Por exemplo se o assunto for: ônibus velho, eu não vou lembrar só dos ônibus velhos de Belém ou de algum lugar do Brasil, pois nem se comparam aos do Laos, Camboja, Nepal ou Índia. Se falar sobre falta de higiene, virá uma imagem muito mais forte também do Nepal ou Índia. Então, tudo isso faz com que o rol de referências aos poucos vai sendo ampliado.

Um comentário:

Mônica disse...

Muito interessante seu relato! Concordo muito com o q disse sobre ampliar as referencias.

abraço