Surdos, mudos e malucos

Quy Nhon, 4 de janeiro de 2011.
Sul do Vietnã


Estávamos no terraço do hotel aqui em Quy Nhon, uma pequena cidade de praia no litoral do Vietnã, e depois de tomar algumas várias cervejas, desci junto com a galera (que conheci em Nha Trang e viemos juntos para cá) para jantar. E como é uma cidade fora da rota turística, vi pouquíssimos gringos aqui que dava pra contar no dedo, e os restaurantes locais não tem menu em inglês e tampouco alguém que nos entendesse. Isso já virou rotina pra mim, mas dessa vez foi muito engraçado pois estávamos todos embriagados!! Chegamos no restaurante e o cara nos deu o cardápio...mesmo que nada...tentamos algum tipo de comunicação mas não surtiu efeito, daí partimos para os gestos, e procuramos em  alguma outra mesa do restaurante, alguma comida que pudéssemos apontar pra pedir igual, tudo bem fizemos o pedido. Aí tinha uma menina meio fresca na nossa galera que quando chegou a sopa dela ficou em dúvida de que animal eram  aquelas víceras mergulhadas em sua sopa...aí ela chamou o cara que atendia e tentou perguntar o que era aquilo. Só que todo mundo porre foi muito engraçada a cena, a menina depois de várias tentativas de pescar uma carne na sopa com os pauzinhos, (pela perda coordenação motora...)  ela conseguiu, aí ela mostrava pro cara e perguntava: Galinha ? Galinha? e nada, e partiu pro gesto. Cara, a gringa imitando uma galinha batendo a asa e fazendo có có ri có , e o vietcong olhando pra ela sem entender nada foi uma cena muito engraçada, ela desistiu. Depois foi minha vez, chegou meu prato, era um pato cozido com gengibre, mas não veio o arroz. Pra perguntar pro cara : cadê meu arroz? Em gesto...e porre... foi uma missão muito difícil pra minha cabeça. Tentem, mesmo que sóbrios, perguntar pra alguém – Onde está meu arroz? Em linguagem de surdo e mudo!! É dificílimo! Como é um gesto pra arroz??? O cara me trouxe lá de dentro pão, pimenta, garfo...rimos demaaaais. Aliás, fazer qualquer coisa porre é uma situação muito cômica, me desculpem os caretas, mas a alegria que o álcool nos dá supera todos os danos no organismo que ele pode nos causar. Na relação custo-benefício , o prazer da embriaguez ganha disparado. Claro, isso é quando não nos tornamos dependentes, não tô falando em dependência química, de alcoolismo. Mas a cervejinha junto com uma turma é uma forma de colocar todos numa mesma sintonia, acontece muito aqui onde formamos uma irmandade entre os mochileiros .Como eu comentei no post anterior, chega um momento durante uma dessas cervejadas que todos os que estão no bar parece que se tornam amigos, e em uma noite conhecemos umas dez-quinze pessoas, e como na maioria das cidades tem uma região onde é o gueto dos mochileiros, você acaba esbarrando com toda essa gente que conheceu no bar nos dias seguintes e depois nas cidades seguintes.. é um fato bem comum cruzar com pessoas que conhecemos dois três meses atrás em outros países. Reencontramos muita gente no meio do caminho.
Quy Nhon é uma cidade muito pacata, quando eu cheguei aqui eu pensava que era domingo, depois que constatei que era segunda-feira. Quando estamos viajando perdemos completamente a noção de que dia estamos, segunda, quarta ou sábado é a mesma coisa, tanto faz. Ninguém sabe mesmo, ás vezes estamos um grupo  de cinco ou seis e alguém pega um panfleto de propaganda de um evento, uma festa por exemplo, o cara lê e depois: Olha legal essa festa vai ser na sexta...que dia é hoje? Ninguém sabe responder!
Saí pra correr  um dia até o final da praia e recebi mais de uma dezena de ‘Hello’ dos moleques pelo meio do caminho. Eles não são acostumados a ver muitos turistas aqui como nas outras cidades da rota turística. Depois voltei pelo calçadão, encostando pra ver o pessoal jogando vôlei, pra comer coisas que via diferente em banquinhas na beira da rua ou só pra ficar vendo a vida passar. A rotina nas cidades de praia aqui no Vietnã é bem diferente das cidades longe do litoral. Sentimos uma paz no ar, só de ficar sentados num banco de alguma praça no calçadão ou de andar pela areia. Eles cuidam bem das praças e jardins da orla, está sempre limpo e as árvores bem podadas, vi isso em todas as cidades de praia como Mui Ne, Nha Trang e agora aqui em Quy Nhon.
Vista do terraço do hotel em Quy Nhon

3 comentários:

Fred Mourão disse...

que vista é essa? Não conheci essa cidade. Quanto vc paga de hotel aí?

Rogério Oliveira disse...

Paguei 5 USD ...

Eduardo Duarte de Oliveira Jr disse...

hauhauhau... sóoo...