No leite de coco

Bora Bora, 21 de agosto de 2010.


Hoje o dia amanheceu muito feio, chuva e vento frio, lá pela tarde resolvi desentocar, saí andando pela praia até que ouvi de longe um barulho e encostei pra ver. Era uma confraternização dos locais para comemorar a vitória em um festival chamado Heiva , que foi disputado entre as 5 comunidades da ilha. Era tipo uma seresta com teclado e voz, sentei pra olhar, só tinha nativo, muitos deles com roupa florida e usando um colar de flores, com a flor tipica da Polinésia a Tiare, tem um perfume muito gostoso que lembra o jasmim. Aí um camarada me ofereceu uma cerveja eu aceitei, depois me convidou pra sentar na mesa deles , uns 10 nativos..todos eles dançando e cantando na língua que eles falam entre eles que é o reo ma’ ohi . Depois uma senhora de uns 130 kg me chamou pra dançar, pra não fazer desfeita eu fui…era música tipo de seresta, fácil de dançar, só que eles tem um gingado diferente, mas acho que não fiz muito feio não… não riram muito de mim…eh eh eh depois essa senhora me ofereceu um rum do Tahiti feito de baunilha que também e típico deles…, eu tomei né… quando vi tava dançando no meio da galera, cantando e tudo…eita porra!

Ai rolou um tira gosto, mermão, peguei um pedaço... Pense numa comida pitiú !!!! (para os não-paraenses : pitiú = fedorenta) Cara , era um leite de coco fermentado com mais alguma coisa que eu não entendi que eles jogam no prato e um monte de coisa mergulhada nesse leite azedo. Fui provando um por um …tinha carne de porco meio crua, gordura de porco, peixe cru, mandioca e um bolinho feito de uma fruta tipica uru com mais sei la o que…ai pega um pedaco de grude, mela no leite de coco azedo e põe pra dentro. Quase que volta !! mermão … olha que eu sou metido a comer tudo ehehe , me fudi  fumei … E eles falavam come ! come! Eu não podia fazer desfeita nem careta ! e eles chupavam o dedo fazendo barulho, cara eu comi aquele grude fedorento na marra, mas comi! Minha mão ficou fedendo a noite toda. Daí eu já tava enturmado com os nativos, já tinha acabado a seresta, aí agente tava lá no barracão quando começou um batuque, a galera me falou que era show de dança típica num hotel do lado, eu fui lá. Saí entrando na moral, um hotel chiquérimo – Intercontinental Bora Bora – aí eu assisti a um show de dança muito bacana, com grupo de música…um tamborzão que o cara esmurrava com um cassetete e uns instrumentos de percussão bem diferentes.

Foi quase uma hora de show, eu viajei olhando aquelas danças, ouvindo aquelas músicas, sentindo o cheiro das flores da Polinésia que vinha dos colares das dançarinas,  num hotelzaço numa noite de lua cheia…foi uma noite inesquecível, mergulhei de cabeça na cultura polinésia de verdade. É diferente a imagem turística de um país, para os costumes dos nativos. Tenho certeza que não comeria aquilo em nenhum restaurante da ilha.

Fui dormir, com a alma engrandecida – e a mão fedorenta.

Amanhã vou pra ilha de Huahine.
No barracão

De dentro do barracão...

2 comentários:

Andreza disse...

Tio Rogério todos os dias venho viajar um pouco com vc, tô adorando esse blog, quase me sinto ai... hehehe bjão da Tia Xuxu

Daniela Souza disse...

Oi primo, este post está muuuito engaçado. Rí muito com seus relatos sobre a comida "pitiu" ..