Montanha Sagrada

Xi’an, 06 de março de 2011.

Reencontrei aqui em Xi’an meu parceiro do albergue de Beijing, o Erez, o israelense que foi para a muralha comigo. Passamos a maior parte do tempo juntos. E combinamos para ir para Hua Shan, uma pequena cidade a 2 horas de Xi’an onde tem uma das cinco montanhas sagradas do Taoísmo, uma das principais religiões da China. Preferimos subir a montanha a pé, ao invés de usar o teleférico, foi uma subida bem difícil, os primeiros 5 km de subida são mais tranquilos mas cansam a perna pra encarar os outros 2km de subida de degraus muito íngremes que ás vezes chegavam quase a 90 graus. Vários templos taoístas pelo caminho serviram de paradas de descanso. Foram mais de 5 penosas horas que foram compensadas pela vista no topo de um dos picos, onde chega o teleférico e onde vão a maioria dos turistas. Uma lâmina de rocha liga um pico a outro. De lá subimos ainda mais para o outro pico onde passamos a noite, quanto mais subíamos mais ia esfriando e a paisagem ia ficando mais congelada ao redor. Paramos para ver o pôr-do-sol e dormir lá no alto, um frio terrível e um vento muito forte que levava à uma sensação térmica de pelo menos uns 10 a 15 graus negativos. O quarto do hotel não tinha aquecedor, dormi no quarto mais frio que já havia dormido na minha vida, tinha gelo dentro e não derreteu até a manhã seguinte! Parece que estávamos dormindo dentro de um freezer.

No dia seguinte subimos para um outro pico ainda mais alto, a mais de 2 mil metros de altitude.Não consegui passar muito tempo nesse outro pois o vento era tão forte que eu precisava me segurar pra não ser arrastado!! Tenho certeza que a máquina fotográfica não conseguiu captar o tamanho, a beleza e a sensação de caminhar no topo dessas montanhas.

Essa semana recebi a triste notícia que a entrada para o Tibet está temporariamente fechada nesse mês de março, e não se sabe exatamente quando ela vai abrir em abril. O Tibet é uma região especial que apesar de estar na China, é necessária uma permissão especial para entrar. Infelizmente não posso passar mais de um mês esperando por uma data incerta. Que pena. O jeito é mudar o roteiro e passar direto para o Nepal, terei que fazer isso de avião pois por terra precisaria cruzar o Tibet, e também é proibido. Tentei comprar minha passagem para Katmandu pela internet mas a empresa Chinesa que faz a rota só aceita pagamento de cartões de créditos chineses. Procurei na net o endereço da empresa, peguei um busão e fui lá, andei umas 2 horas atrás do endereço com meu papelzinho na mão e quando achei o cara disse(finalmente achei um que falava um pouco de inglês!) que não era mais lá, tinha mudado. Legal, era sábado 5 da tarde, as empresas fechando e eu precisava comprar minha passagem pois corro o risco de não achar vaga antes de terminar meu visto, e eu não queria ter que renovar novamente. Respirei fundo e peguei meu busão de volta meio desolado. Chegando no albergue de volta, vi uma agência viagem, o que não é tão fácil de ver por aqui e principalmente as que vendem ticket aéreo. A mulher não falava nem uma palavra que eu entendesse, ela não sabia nem o que era ‘ticket’ , depois de meia hora conversando através de um tradutor pelo computador, tipo google translator, que quando traduz do chinês se transforma em frases indecifráveis...consegui comprar a passagem, ufa.


Deixa eu fazer um parêntese para esclarecer uns termos: passaporte é um documento de identidade que precisamos para circular em outros países, é a nossa “carteira de identidade” fora do Brasil. E visto é uma permissão que temos para permanecer em um determinado país, que é válido por um determinado tempo. Existem países que não exigem o visto para a entrada, por exemplo, os países do Mercosul(Argentina, Chile, Uruguai e Paraguai), outros países pegamos o visto na entrada por exemplo: Indonésia, Tailândia, Laos, Camboja... Em outros precisamos pegar o visto com antecedência em outro lugar (Vietnã, China, Índia, EUA...), exemplo: fui na embaixada do Vietnã no Camboja pegar o visto para entrar no Vietnã, no Vietnã eu peguei o visto da China. O visto é colado no nosso passaporte com a data preestabelecida.




Portão sul  dos muros de Xi'an


Templo na entrada da montanha em Hua Shan
Meu parceiro Erez
Templo taoísta no alto da montanha
Esses cadeados representam pedidos de felicidade ou de sorte no casamento
Uma árvore de 1.300 anos que tinha pelo caminho


Um dos picos de Hua Shan




Guerreiros do Imperador

Xi’an,  05 de março de 2011.

Eu vim pra Xi’an pra ver de perto um dos maiores achados arqueológicos da China e talvez do mundo. É uma descoberta recente (1974), um camponês estava cavando um poço e achou uns pedaços de cerâmica, quando deram início às escavações e descobriram nada menos que cerca de 8.000 guerreiros e cavalos em terracota, literalmente terra assada(uma espécie de argila), em posição de batalha dentro de três trincheiras, datados de 2.200 anos atrás. Os guerreiros foram feitos por ordem do primeiro imperador da dinastia Qin(259 a 210 a.C.). Na verdade muitos deles ainda não foram restaurados pois as escavações ainda estão em curso, até agora pouco mais de mil foram recuperados e reposicionados em sua posição original. Detalhe, todos são diferentes uns dos outros, inclusive a roupa( de acordo com a sua função e patente militar) e o cabelo . Tem umas peças lá que podemos ver bem de perto, muito impressionante os detalhes de cada uma. Elas originalmente eram coloridas mas a pintura se perdeu com o tempo. As armas encontradas junto com os guerreiros foram analisadas e descobriram que elas tinham uma proteção contra a corrosão de cromo, técnica que só foi ‘descoberta’ em 1937 comprovando que os chinezes dominavam técnicas de metalurgia desde aquela época.

Um dos guerreiros que podemos ver de perto

O guerreiro e seu cavalo
No galpão maior onde tem cerca de 1000 guerreiros restaurados
Guerreiros de Terracota, em posição de batalha

Meus dias em Xi’an estão preguiçosos, passo boa parte do tempo no albergue que tem um ambiente bem aconchegante, um café que serve de ponto de encontro, um bar no subsolo e uma mesa de ping pong que eu passo horas jogando com os chineses. Ou então fico circulando nas redondezas, no bairro islâmico, simplesmente para viver o cotidiano de uma cidade chinesa. Assisti a um show aquático de chafarizes numa praça em frente à uma pagoda com músicas e luzes, é o maior show desse tipo na Ásia, chinês é bom pra fazer essas coisas. Xi’an é uma das poucas cidades na China que ainda tem um muro enorme circundando o centro da cidade sendo também uma das atrações.
Bar do albergue
Albergue em Xi'an
Night market no bairro islâmico
Chineses do bairro islâmico
Bell Tower em Xi'an

Sinto que eu assimilei muita coisa da estranheza da China. Andando pelas ruas, cada vez menos vejo coisas novas que me causam aquele choque que senti quando pisei aqui pela primeira vez. Ainda me impressiono por tudo isso ser China, claro, porém sem franzir a testa por ser estranho. Depois de mais de 17 cidades nesses quase dois meses já estou bem mais ambientalizado e sentindo que está na hora de partir pra outro país.











Chinezices

Xi'an - China, 02 de Março de 2011.  

Separei mais algumas coisas bem comuns que tenho visto por aqui. A China em carne e osso é um pouco diferente de muita coisa que se diz por aí e que eu já vi na internet.  Muitos mitos devem surgir com reportagens de coisas exóticas do país que as pessoas acabam generalizando. Não vamos longe, no Brasil mesmo, o pessoal do sul e sudeste ainda pensa que no norte do país só tem índio e tem jacaré andando na rua....
Tem alguns mitos acerca dos costumes na China que não tem fundamento, tipo pensar que eles comem cachorro e outros bichos nojentos normalmente... isso não é comum e a maioria rejeita essas coisas. Geralmente insetos fritos são vendidos em lugares com grande concentração de turistas como a Av. Wangfujing em Beijing. Por exemplo, morei no interior do Amazonas onde alguns descendentes de índios  comiam tucanos, araras, macacos...e não seria certo generalizar, dizendo que ‘os brasileiros’ comem isso.
 Arrotar logo depois da refeição é sinal que apreciou a refeição: papo furado. Eles arrotam muito mas sem motivo algum...
Deixar alguma comida no prato é indelicadeza, principalmente com o cozinheiro: papo furado, pois eles desperdiçam muita comida. E pelo contrário, raspar o prato ás vezes, é sinal que ainda quer comer mais.
Refeições em grupo seguem um ritual, não existe prato individual, os pratos são comunitários onde todos se servem diretamente nele, só o arroz que cada um tem sua tigelinha. Eles têm a hora da refeição como uma forma de confraternizar, assim como nós nos reunimos para tomar uma cerveja num barzinho, eles se reúnem em restaurantes movimentados e barulhentos para comer e descontrair. Já aconteceu comigo algumas vezes de eles oferecerem um jantar ou almoço e fazerem questão de pagar, é até indelicado insistir muito para pagar.
Os idosos fazendo exercício nos parques, independente do frio. Velhinhos com mais de 80 anos fazendo Tai Chi Chuan, alongamento ou simplesmente se movimentando.
Eles são muito envergonhados, se cumprimentam só com um movimento de cabeça ou no máximo um aperto de mão. Beijinho e abraço nem pensar. Eles adoram chamar a gente para bater foto mas ás vezes quando abraçamos na hora da foto, eles morrem de vergonha. A China até um tempo atrás era fechada para o resto do mundo, e os estrangeiros ainda são uma atração, além de pedir pra bater fotos, eles nos fazem um monte de perguntas bem curiosas, se admiram com nossos pêlos no braço e barba.
O preço exibido nunca é o real, eles sempre dizem o preço e esperam a reação pra dar o desconto. Uma peça custa Y280 e acabamos comprando por Y50. Eles adoram enrolar os outros, principammente gringo, ‘esquecem’ de dar troco e coisas do tipo.
 A quantidade de coisas falsificadas dispensa comentários, se eles exportam para o mundo inteiro, imagina somando com os produtos que não saem daqui.
Uma bebida muito consumida é o Bai jou, uma espécie de cachaça de arroz que chega a incríveis 56% de graduação alcoólica.
Fotos do Mao Tsé-Tung espalhadas pra todo lado.
Nas casas quase sempre tem uns dizeres de boa sorte e felicidade(o ‘Fu’ , da minha tatuagem, é muito comum na porta das casas e estabelecimentos comerciais).
Eles não aceitam gorjeta. Se a conta deu Y14 , a gente paga Y15 e diz que tá certo, eles dizem que não e te dão o troco.
É impressionante a agilidade com que eles preparam o macarrão nos restaurantes. Em um minuto uma bola de massa se transforma numa porção de macarrão bem fininho tipo espaguete, prefeito, parece que saiu do pacote e com mais uns 20 segundos de fervura ele já está pronto na tigela na nossa frente. Tem indícios de o macarrão já existir na China há milhares de anos, talvez até tenha sido inventado aqui, foi chegar na Itália muito depois.
 Não é tão comum o trânsito de bicicletas como se imagina, talvez fosse assim a 10-20 anos atrás. Vemos mais mobiletes elétricas como meio de transporte e as  bicicletas normais são mais usadas para transportar carga em alguma carroceria acoplada nela.








Shaolin Kung fu

Luoyang, 24 de fevereiro de 2011.

Eu queria me tornar um grande mestre do Kung fu para substituir o Bruce Lee e o Jackie Chan,ehehe... então não tinha lugar melhor do que o Templo Shaolin, local onde nasceu essa arte marcial que é uma das mais antigas do mundo, com mais de 5 mil anos!! A história conta que os monges deste templo como passavam muitas horas sentados meditando, eles precisavam praticar exercícios para manter forma. Esses exercícios eram baseados além de muita concentração na respiração e alongamentos, em movimentos que imitavam os animais. Daí o templo começou a sofrer ataques e para se defender, eles passaram a usar esses movimentos como luta.

Eu pensava que era no alto de uma montanha que nem no filme que eu falei mas não era. É numa região montanhosa mas não é no alto. Aquele que aparece no filme não é o Templo Shaolin. O templo em si não chamou tanto minha atenção pois é um templo budista assim como vários outros que já passei pela Ásia. O que valeu mais a pena foi uma enorme escola de Kung fu que faz parte do monastério budista Shaolin, com centenas de jovens praticando a luta, fiquei um tempão lá vendo o treinamento deles.

Fui desafiado logo na chegada...

Eu gosto da expressão dos guardiões dos templos.

Templo Shaolin
Centro de Treinamento

 
Treinamento
Agora sim ! Sou um grande mestre do Kung fu Shaolin !!!


E com a mania do Zeca Camargo, numa incansável busca por Patrimônios Mundiais da UNESCO, lugares para se dizer “isso aqui é nosso!”... Fui visitar as cavernas de Longmen(que em mandarim significa Porta do Dragão) aqui próximo a Luoyang que é uma antiga capital da China. Um dos poucos locais na China com grandes esculturas budistas que ainda sobreviveram até hoje. São mais de 100 mil esculturas de Buda esculpidas na rocha. Um kilômetro de montanha que acompanha o Rio Yi com mais de 2.300 grutas com imagens de Buda porém a maioria delas destruídas por vândalos na Revolução Cultural ocorrida na China na década de 60 e colecionadores que tiram as cabeças das estátuas. Muitas delas foram parar em museus por aí.

Isso aqui é nosso!
As grutas de Longmen

Figuras budistas enormes esculpidas na rocha



Discípulos de Buda num templo em Longmen

Eu, o Bussunda chinês e outro parceiro num templo..

 
Estou agora na estação de trem de Louyang esperando o trem para Xi’an. As estações de trem aqui na China são gigantescas, a estação que eu embarquei em Beijing, por exemplo, a Beijing West Station é a maior da Ásia. Normalmente tem 1 a 8 salões(dependendo do tamanho da estação) cada um com oito portões de embarque. Aqui tem dois salões(Louyang tem seis milhões de habitantes). Em cada portão tem saídas contínuas de trens, cada um com 300-800 passageiros. Acho que em cidades como essa devem circular cerca de 80 a 100 mil pessoas por dia, e em cidades maiores tipo Beijing e Shangai deve ser o dobro disso. O meu conceito de “muita gente” acho que está mudando nesse meu período aqui na China. Apesar da multidão, eles sabem organizar a coisa pra fluir mais rápido. Não existem filas muito demoradas ou empurra-empurra.

Que Maravilha !

Beijing, 22 de fevereiro de 2011.

O dia ontem foi para visitar o ponto mais famoso da China, a Muralha da China, uma das sete maravilhas do mundo!

A Muralha da China é a maior fortificação do mundo, ela começou a ser construída há dois mil anos para proteger alguns impérios da invasão de povos inimigos. Centenas de milhares de homens trabalharam na construção e uma boa parte morreu durante isso, conta a lenda que seus corpos foram usados também junto com as pedras e o cimento. Na verdade a Muralha devia se chamar ‘As Muralhas’ pois ela não é única, e sim composta por vários segmentos bem longe uns dos outros em diferentes províncias. E a história que ela pode ser vista do espaço é papo furado, teve um astronauta que desmentiu isso um tempo desse.

Combinei com meu parceiro de quarto israelense para irmos para a Muralha juntos, tenho conhecido vários israelenses pelo caminho, todos são gente boa demais e são ‘preparados pra guerra’ literalmente, em Israel todos os homens são obrigados a servir o exército por três anos e as mulheres por um ano, com treinamentos pesados. Ele disse que israelenses não podem pisar no Líbano nem na Síria, senão são mortos, eu falei que era engraçado. Ele disse que não tinha nada de engraçado nisso e eu mudei de assunto, eles não gostam muito de falar sobre isso porque a coisa lá é séria e eles não gostam dessa história de pagar pela briga ideológica e religiosa entre os países vizinhos.

Pois bem, no caminho se juntou ao grupo mais um holandês e um indiano que mora em Dubai. Caminhamos sobre a muralha até o ponto mais alto no trecho de Badaling, tem que ter perna pra subir tudos aqueles degraus. É realmente impressionante o tamanho daquilo ali.



No caminho passamos por uma tumbas onde foram enterrados 13 dos 16 imperadores da dinastia Ming. Detalhe, alguns imperadores ordenavam que quando eles morressem queriam levar para a tumba também todas as suas concumbinas. Elas normalmente eram obrigadas a tomar um veneno letal...



“Aquele que nunca escalou a Grande Muralha não é um homem de verdade.”

                                                                              Mao Tsé-Tung

Mao Tsé-Tung falou, tá falado...taí o macho agora!

Tumbas da dinastia Ming

Pato Pequinês

Beijing(Pequim), 22 de fevereiro de 2011.

Tenho viajado basicamente de trem aqui pela China, exceto em pequenos trajetos. Quando fui comprar o ticket para cá para Beijing não tinha mais lugar sentado e comprei o "no seat" mesmo, ou seja, sem poltrona. Seria uma viagem a noite de 13-14 horas mas foi o jeito. Nem fez falta...o chão do corredor estava bem confortável, eheheheh.  Deu pra deitar no corredor  porque esse trem era bacana, tinha tapete e era limpo, tem uns outros que são mais 'povão' que é impossível deitar, primeiro porque não tem espaço, é o tempo todo passando os 'rodomoços' vendendo um monte de besteira e outra que o chão é cheio de cuspe!
Fiquei num albergue bem no coração de Beijing, ao lado da Praça da Paz Celestial (Tiananmen Square), a maior praça pública do mundo (a China é cheia de superlativos) . Pra entrar na praça, assim como nas estações de metrô ou de trem, passamos por uma inspeção da polícia chinesa com aquelas esteiras de RX iguais de aeroporto. Na praça tem alguns monumentos, em um deles inclusive está o corpo conservado do Mao Tsé-Tung que foi um importante líder na história do país e é muito adorado até hoje, com fotos dele espalhadas por todo lugar. Tem uns portais  enormes na entrada da praça, e ao nascer e no por-do-sol tem uma cerimônia do hasteamento da bandeira com uma marcha dos guardas bem organizada, tem uns guardas bem jovens pelo meio, jovens de 15-16 anos .

Chegando em Beijing


Praça da Paz Celestial (Tiananmen)

Cerimônia do hasteamento da bandeira na Tiananmen Square
Ao lado está a Cidade Proibida que tem esse nome pois como era a morada dos imperadores, tinha seu acesso restrito.Mas hoje em dia não tem nada de proibido, é uma cambada de chineses entrando lá todos os dias, o ponto turístico mais famoso da cidade. A China foi governada por imperadores (dinastias) até 1911. São vários palácios dentro da Cidade Proibida, um deles com o trono do imperador, outro era onde ele tinha suas horas de folga e seus momentos de diversão com as concumbinas...tudo muito suntuoso e  carregado  de significados especiais  que eu morcegava das explicações dos guias. E no fundo tem o  jardim imperial com  ciprestes , que são umas árvores de formato igual a imensos bonsais , de centenas de anos.   

Entrada da Cidade Proibida

Cidade Proibida

Jardim Imperial na Cidade Proibida... duas árvores que se unem, igual a um bonsai

Um dos palácios na Cidade Proibida
Visitei também outro parque também dos imperadores, o Palácio de Verão(Summer Palace), local onde os imperadores vinham se refrescar durante os rigorosos verões chineses. O parque que abriga o palácio é muito bonito com lagos, pontes e corredores de estilo bem antigo. Como estamos em pleno inverno por aqui, o lago principal do Palácio estava congelado e podíamos andar sobre o lago!!!

Andando sobre o lago congelado no Summer Palace
Beijing tem muita coisa pra fazer mas eu já tô meio cansado de templos, parques e museus. Tem dias que eu prefiro só ficar andando pelos hutongs, ruas estreitas em áreas mais pobres da cidade, onde vemos a China mais real. Por ser um país que sofreu muito com as guerras e com a fome, eles desenvolveram a arte de fazer comida com pouco material, as sopas mais consumidas por exemplo são praticamente só macarrão, com bem poucos vegetais. Quando é com carne, normalmente de porco, são 3 ou 4 fatias do tamanho e espessura de uma gilete. Teve um dia que meu instinto carnívoro estava com vontade de mastigar carne e pedi uma especialidade culinária muito famosa da cidade, o Pato de Pequim, em um pequeno restaurante de um hutong. Não muda muita coisa dos outros patos que comi por aí em outras províncias, talvez porque não foi preparado por um cozinheiro renomado (era num restaurante bem simples) ou porque meu paladar não é  treinado para reconhecer a diferença desses temperos utilizados aqui. Coloca um alemão pra distinguir qual o melhor acarajé na Bahia... ele vai achar tudo igual.  
O parque que não tem nada de antigo, pelo contrário é bem moderno, é o parque olímpico, onde rolou a última olimpíada em 2008. Fui no futurístico cubo d'água, que abrigou as provas de piscina. No subsolo tem tipo um clube com um parque aquático e piscina estilo  praia artificial de água aquecida e é onde fica a piscina olímpica. Muito doido lá dentro. O estádio olímpico "ninho de pássaro" é bem em frente mas não estava aberto para visitação. Ao lado do parque olímpico está um dos pouquíssimos hotéis sete estrelas do mundo!
Parque Olímpico
O cubo d'água

Piscina olímpica

Interior do cubo d'água
O estádio 'Ninho de Pássaro'
Rodando em Beijing...esse é o Templo de Confúcio, um pensador
que teve grande influência na cultura chinesa

No parque do Templo do Céu...o cara fazendo um intrumento de sopro com argila