Pandas e Coelhos

 Chengdu, 12 de março de 2011.

No outro dia fomos visitar o Centro de Pesquisa e Criação do Urso Panda Gigante, o maior centro de estudos de panda da China, consequentemente do mundo, pois o panda é uma espécie que só existe na China. Daqui foram mandados alguns espécimes para zoológicos espalhados pelo mundo. É um lugar imenso com um museu sobre a história dos gigantes que parecem bichões de pelúcia. Numa galeria ao lado do centro de reprodução e no cinema dentro do parque, são exibidos vídeos sobre os hábitos e a reprodução em cativeiro. Curioso é que o filhote do panda gigante é menor que um filhote de cachorro, é do tamanho de um gatinho recém-nascido com 100 gramas. Por essa fragilidade dos filhotes e pela devastação do seu habitat natural(os pandas só comem bambu!!) a população de pandas no mundo reduziu bastante e hoje em dia não chega a 2 mil. Já tinha visto alguns no parque de Guilin, mas fiquei mais amarrado depois de ver toda essa informação sobre a criação e reprodução deles, não tem como não ficar, eles são muito fofos.



Na volta fomos jantar num restaurante bem típico de Chengdu, onde são servidos hot pots, uma espécie de panela no centro da mesa onde os ingredientes são cozinhados na hora e nos servimos diretamente. Sugeri um prato de coelho que estava apimentadíssimo, como todos os pratos aqui. Nunca tinha comido coelho, muito menos nesse estilo. Foi um jantar especial para fechar com chave de ouro toda a minha viagem na culinária chinesa. Quando estamos com moradores locais experimentamos a cidade de forma diferente, esse é o fundamento básico do couchsurfing.
Rodando em Chengdu 

Restaurante em Chegdu, comendo um hotpot de coelho

"Surfando no Sofá" em Chengdu


A cultura do chá

O chá é de longe a bebida mais consumida na China, numa tradição que vem de milênios atrás. Nesse tempo que passei aqui consegui  captar bem o que representa o chá para os chineses. É muito comum eles carregarem sua garrafa de chá pra beber como água. E em toda parte: hotéis, trens e estações de ônibus eles têm água fervendo á disposição.
 Em várias províncias acompanhei o ritual de preparação que é basicamente da mesma forma em todo lugar. Claro que esse ritual não é feito no dia-a-dia, ele é utilizado só para demonstração nas casas onde se vende as ervas, assim como os degustadores de vinho têm todas aquelas regrinhas para cada tipo de vinho, como o copo  e a temperatura certa. Primeiro o bule de vidro e as louças são purificadas com água fevente e então as ervas, ou flores, são oferecidas para sentirmos o aroma. A forma de preparo varia de acordo com o tipo do chá. Por exemplo, alguns como o Oolong, a primeira água serve para lavar as folhas e depois é desprezada  e outros como o de jasmin  e o chá verde não se usa a água fervendo pela sensibilidade das folhas. E em hipótese alguma é adicionado açúcar pra não modificar o sabor da erva.  Outras formas de consumo também foram popularizadas recentemente como o chá gelado com frutas e outros misturados ao leite. As casas de chá são bem tradicionais aqui em Changdu, depois de uma sessão de degustação escolhi  três tipos (é muito barato) pra levar de lembrança. No último dia em Chengdu passeando pelo parque da cidade que estava cheio de idosos dançando, cantando, crianças no pedalinho, ..., passei por uma das casas de chá: mesas em um  jardim cheio de flores, passarinhos e borboletas, as pessoas tomando chá em cadeiras de bambu em um ambiente tão sereno que me deixou paralisado por uns instantes. Eu estava sem a minha máquina mas na verdade aquela foi uma cena para ser sentida e não fotografada.
Aprendendo sobre os chás com minha intérprete

Estou deixando a China depois de passar por vinte cidades em dois meses intensamente vividos e saboreados. Visitei 12 Patrimônios da Humanidade:
- Grande Muralha (Beijing)

- Palácios Imperiais das Dinastias Ming e Quing (Cidade Proibida) – Beijing
- Exército de Terracota (Xi’an)
- Paisagem do Monte Emei, incluindo a Paisagem do Grandoe Buda de Leshan (Província de    Sishuan)
- Cidade Antiga de Li jiang
- Jardins Clássicos de Suzhou
- Palácio de verão, um Jardim Imperial em Beijing
- Templo do Céu, Altar Sagrado Imperial em Beijing
- Grutas de Longmmen(Luoyang)
- Túmulos Imperiais das Dinastias Ming e Quing (Xi’an)
- Centro Histórico de Macau
- Santuário do Panda Gigante em Sichuan(Chengdu)


 Cultura riquíssima, paisagens fantásticas, costumes ímpares numa atmosfera que causa impacto  em qualquer ocidental que passe por aqui. Vou embora do gigante planeta vermelho maravilhado, intrigado e todos os adjetivos que uma grande viagem permite. Tudo aqui superou minhas expectativas. Estou no aeroporto de Chengdu esperando meu voo para Katmandu - Nepal.


Como assim?

Chengdu, 11 de março de 2011.

Eles adoram placas de proibição e outras escritas em Chinglish, termo  criado para nomear o inglês macarrônico utilizado na China. Só pra relaxar vou mostrar umas placas que vemos frequentemente, com seus possíveis significados. Se alguém tiver outra ideia de interpretação das placas, enviem como comentário!   rsrsrsr

Foto 1- Proibido cuspir / jogar papéis picados no chão/ tirar lixo da lixeira/ficar perto de cachorro/ler cartazes / bicicleta / carregar coisas com um vara no ombro / dormir utilizando bacia como travesseiro / retirar trevo de 3 folhas/ proibido segurar lápis quem tiver braço de borracha

Foto 2 – Desengonçados, proibido  se encostar na porta

Foto 3- Proibido carregar maletas pegando fogo
Foto 4 – Proibido ver o preço da gasolina
Foto 5 – Proibido entrar de carro pela porta
Foto 6 – Proibido usar havaianas/ garrafas / máquina fotográfica /cachorro/moleque correndo/enfiar faca em barras de chocolate pegando fogo
Foto 7 – Proibido entrar com camburões/jogar pedras pegando fogo por cima da fogueira/jogar líquidos que derretam a mão/veneno / armas
Foto 8 -  Proibido acender dinamite
Foto 9 – Proibido sentar na escada? Não, essa aí é: Proibido ficar de bobeira, vadiar
Foto 10 – Na entrada de um condomínio: Proibido andar de moto/entrar com trompete / taxi / jogar várias pedras no chão / passear com cachorro sentado/roubar flores com a mão suja de graxa / como assim?!?!?!!!! / entrar com espingardas  / fazer fogueira de São João/ pular a cerca/ usar patins de gelo no cimento/ pisar na bola
Foto 11 –Na escada rolante: Proibido pessoas/ conserve-se à direita/ não encostar na parede(?)/ proibido jogar no chão: alicate, martelo e rolhas de champanhe/ segure a criança/ proibido carrinhos de bebê
Foto 12 – Cuidado, não corte o dedo, pode sair sangue!
Foto 13- No metrô: Proibido jogar garrafas e maçãs mordidas na água/proibido suicidar-se
Foto 14 – Proibido rasgar papel/ ter 3 bolas brancas na mão/ pentear macaco/ mostrar carteirinha / correr / gritar / mostrar carteirinha para o macaco pois ele não se importa / jogar peteca com os macacos


Pare turista !!!
Chinglish
Primeiro chute,
Segundo chute,
Na trave!
Essas foram algumas que eu vi e fotografei, tem mais na internet que você pode ver (aqui) .

Macacos me mordam!

 Chengdu, 11 de março de 2011.

Vim passar minha última semana na China em Chengdu, capital da província de Sichuan,  famosa por ter culinária mais saborosa do país e por ser o habitat dos pandas. Optei por ficar na casa de chineses através do couchsurfing, pela primeira vez aqui na China. Quem me hospedou foi a Yingchu , que é formada em turismo, e poderia me explicar melhor sobre a cultura local. Couchsurfing literalmente significa ‘surf de sofá’ como eu já expliquei em posts anteriores, e aqui eu realmente fiquei no sofá da sala, eheheh. Cheguei quebrado depois de 16 horas sentado no trem de Xi’an pra cá e depois de um cochilo no meu sofá, saímos pra dar uma volta. Passamos pela universidade onde ela estudou, me adimirei com as 20 mesas de ping pong que tinham na área de recreação, o ping pong é um dos esportes mais populares na China, eu já tinha visto também em praças e parques, inclusive idosos jogando. Na volta passamos num mercado perto de casa pra comprar os ingredientes do jantar. Ela e a namorada do primo que também mora lá, prepararam um jantar muito bom com umas linguiças feitas pela mãe dela e os vegetais com um tempero bem carregado na pimenta.Realmente o sabor da comida daqui é bem mais forte do que eu tinha comido em várias províncias que passei pela China.
Jantar com tempero de Sichuan na casa da Yingchu

No outro dia fui para Leshan, duas horas de Chengdu ver de perto o maior Buda sentado do mundo. O Buda que fui Hong Kong era o maior do mundo em bronze, esse aqui é o maior mesmo, em tamanho. O gigante tem 71 metros e foi  escavado na rocha.Está sentado na margem do rio há 1.200 anos.
O Buda de Leshan

O gigante de 71 metros na margem do rio

De Leshan segui para Emei, para caminhar  por outra montanha sagrada, o Emei Shan (Monte Emei) é uma das montanhas sagradas do Budismo e junto com o Buda de Leshan, é outro Patrimônio da Humanidade da UNESCO.  Dormi na pequena vila de Emei aos pés da montanha, para fazer a caminhada no dia seguinte. Na verdade eu imaginava paisagens parecidadas com as monte Hua Shan que fui na semana passada mas aqui é diferente, as trilhas são rodeadas por floresta e a beleza se dá pela natureza que nos cerca e não uma vista do alto da montanha. Vários templos budistas pelo caminho mas confesso que já estou saturado de tanto templo e não passava mais de dois minutos dentro de cada um deles, e em outros só olhava de longe. Depois de cinco horas de uma feliz e tranquila caminhada pela montanha sagrada..rsrsrs passei por uma parte que era uma espécie de floresta dos macacos, com várias placas dizendo que ali era uma região de macacos selvagens e alguns procedimentos de segurança, tipo não correr, não fazer movimentos bruscos e tinha lido no guia também histórias do tipo ”Com um macaco no caminho, nem 10 mil homens podem passar” mas ignorei tudo isso pois imaginava situações iguais como passei em Ubud na ilha de Bali, onde os curiosos macaquinhos pegavam tudo que tinha pendurado na gente ou na mochila, tipo chapéu, óculos, ou alguma comida. Guardei tudo dentro da mochila e continuei caminhando tranquilo por uma trilha que ninguém estava indo mas achei bonito e resolvi seguir. Cara, passei por um momento de tensão que há tempos não passava, talvez desde que fugi do tubarão na ilha de Redang na Malásia. Tinham DEZENAS de macacos no caminho, engoli seco mas mantive o passo. E não era macaquinho não, eram grandes, e mantendo o passo cruzei uma ponte de um lado ao outro do riacho que corre no meio do vale, e pela primeira vez na vida fiquei com medo de macaco! Eles começaram a me seguir, eram uns 4 ou 5, agarraram na minha perna e eu acelerei o passo com um macaco pendurado em cada perna, até que eles largaram e eu corri pálido numa trilha escorregadia tendo que usar as mãos pra não me esborrachar de cara numa escada cheia de limo. Até que passei e continuei na trilha ainda com a garganta seca porém aliviado por ter escapado na boa. “Foi até melhor do que eu imaginava” eu pensava comigo, como forma de consolo pra poder relaxar novamente e voltar a curtir a paisagem. Após meia hora de caminhada, achei uma casinha que tinha um restaurante e parei para confirmar se estava no caminho certo...a mulher disse que aquela trilha dava para um outro templo fora da minha rota e eu tinha que voltar!!! Atravessar pelos macacos de novo!!!! Bom, se eu sobrevivi na primeira vez, da segunda vou sentir medo mas vou sobreviver também. Caso contrário se eu fosse por aquele caminho eu teria que rodear a montanha por outro lado anadando uns 15 km e dormir em algum templo para voltar no dia seguinte...não, vou encarar a macacada de novo. A mesma coisa, quando eu me aproximei eles começaram a pular e rosnar(macaco rosna??) eu mantive o passo. Novamente passei no meio deles, pareciam enfurecidos com aquele intruso invadindo a sua área. Pode parecer frescura sentir medo de macaco, mas eu queria ver o macho que não sentisse medo naquela situação. E quando eu passo de novo pela bendita ponte enfestada, um deles pulou no meu pescoço agarrando na minha cabeça, enquanto outros continuaram puxando minha perna. Mermão, andei uns 30 metros com o bicho atracado no meu pescoço, eu não podia correr nem me sacudir pois ele não ia soltar, era grande,  pesado e segurava com força.Eu vi a hora dele morder minha orelha, sei lá, ele rosnava no meu ouvido, nunca queiram passar por uma situação como essa. Me acalmei um pouco quando ele lambeu minha cabeça, aí percebi que ele não estava tão mal intencionado... rsrsrsrs...até que ele largou, os que estavam na minha perna também largaram. Escapei sem nenhum arranhão, e fiquei tranquilo quando comecei a ver gente de novo. Não queria mais andar, peguei um atalho e voltei para a vila de Emei, depois busão pra Chengdu.
Templo budista no alto da Emei Shan

Placa em Chinglish:"Cuidado macacos agressivos aqui. Não brinque com os macacos"
Emei Shan
Adentrando na zona dos macacos.

Montanha Sagrada

Xi’an, 06 de março de 2011.

Reencontrei aqui em Xi’an meu parceiro do albergue de Beijing, o Erez, o israelense que foi para a muralha comigo. Passamos a maior parte do tempo juntos. E combinamos para ir para Hua Shan, uma pequena cidade a 2 horas de Xi’an onde tem uma das cinco montanhas sagradas do Taoísmo, uma das principais religiões da China. Preferimos subir a montanha a pé, ao invés de usar o teleférico, foi uma subida bem difícil, os primeiros 5 km de subida são mais tranquilos mas cansam a perna pra encarar os outros 2km de subida de degraus muito íngremes que ás vezes chegavam quase a 90 graus. Vários templos taoístas pelo caminho serviram de paradas de descanso. Foram mais de 5 penosas horas que foram compensadas pela vista no topo de um dos picos, onde chega o teleférico e onde vão a maioria dos turistas. Uma lâmina de rocha liga um pico a outro. De lá subimos ainda mais para o outro pico onde passamos a noite, quanto mais subíamos mais ia esfriando e a paisagem ia ficando mais congelada ao redor. Paramos para ver o pôr-do-sol e dormir lá no alto, um frio terrível e um vento muito forte que levava à uma sensação térmica de pelo menos uns 10 a 15 graus negativos. O quarto do hotel não tinha aquecedor, dormi no quarto mais frio que já havia dormido na minha vida, tinha gelo dentro e não derreteu até a manhã seguinte! Parece que estávamos dormindo dentro de um freezer.

No dia seguinte subimos para um outro pico ainda mais alto, a mais de 2 mil metros de altitude.Não consegui passar muito tempo nesse outro pois o vento era tão forte que eu precisava me segurar pra não ser arrastado!! Tenho certeza que a máquina fotográfica não conseguiu captar o tamanho, a beleza e a sensação de caminhar no topo dessas montanhas.

Essa semana recebi a triste notícia que a entrada para o Tibet está temporariamente fechada nesse mês de março, e não se sabe exatamente quando ela vai abrir em abril. O Tibet é uma região especial que apesar de estar na China, é necessária uma permissão especial para entrar. Infelizmente não posso passar mais de um mês esperando por uma data incerta. Que pena. O jeito é mudar o roteiro e passar direto para o Nepal, terei que fazer isso de avião pois por terra precisaria cruzar o Tibet, e também é proibido. Tentei comprar minha passagem para Katmandu pela internet mas a empresa Chinesa que faz a rota só aceita pagamento de cartões de créditos chineses. Procurei na net o endereço da empresa, peguei um busão e fui lá, andei umas 2 horas atrás do endereço com meu papelzinho na mão e quando achei o cara disse(finalmente achei um que falava um pouco de inglês!) que não era mais lá, tinha mudado. Legal, era sábado 5 da tarde, as empresas fechando e eu precisava comprar minha passagem pois corro o risco de não achar vaga antes de terminar meu visto, e eu não queria ter que renovar novamente. Respirei fundo e peguei meu busão de volta meio desolado. Chegando no albergue de volta, vi uma agência viagem, o que não é tão fácil de ver por aqui e principalmente as que vendem ticket aéreo. A mulher não falava nem uma palavra que eu entendesse, ela não sabia nem o que era ‘ticket’ , depois de meia hora conversando através de um tradutor pelo computador, tipo google translator, que quando traduz do chinês se transforma em frases indecifráveis...consegui comprar a passagem, ufa.


Deixa eu fazer um parêntese para esclarecer uns termos: passaporte é um documento de identidade que precisamos para circular em outros países, é a nossa “carteira de identidade” fora do Brasil. E visto é uma permissão que temos para permanecer em um determinado país, que é válido por um determinado tempo. Existem países que não exigem o visto para a entrada, por exemplo, os países do Mercosul(Argentina, Chile, Uruguai e Paraguai), outros países pegamos o visto na entrada por exemplo: Indonésia, Tailândia, Laos, Camboja... Em outros precisamos pegar o visto com antecedência em outro lugar (Vietnã, China, Índia, EUA...), exemplo: fui na embaixada do Vietnã no Camboja pegar o visto para entrar no Vietnã, no Vietnã eu peguei o visto da China. O visto é colado no nosso passaporte com a data preestabelecida.




Portão sul  dos muros de Xi'an


Templo na entrada da montanha em Hua Shan
Meu parceiro Erez
Templo taoísta no alto da montanha
Esses cadeados representam pedidos de felicidade ou de sorte no casamento
Uma árvore de 1.300 anos que tinha pelo caminho


Um dos picos de Hua Shan




Guerreiros do Imperador

Xi’an,  05 de março de 2011.

Eu vim pra Xi’an pra ver de perto um dos maiores achados arqueológicos da China e talvez do mundo. É uma descoberta recente (1974), um camponês estava cavando um poço e achou uns pedaços de cerâmica, quando deram início às escavações e descobriram nada menos que cerca de 8.000 guerreiros e cavalos em terracota, literalmente terra assada(uma espécie de argila), em posição de batalha dentro de três trincheiras, datados de 2.200 anos atrás. Os guerreiros foram feitos por ordem do primeiro imperador da dinastia Qin(259 a 210 a.C.). Na verdade muitos deles ainda não foram restaurados pois as escavações ainda estão em curso, até agora pouco mais de mil foram recuperados e reposicionados em sua posição original. Detalhe, todos são diferentes uns dos outros, inclusive a roupa( de acordo com a sua função e patente militar) e o cabelo . Tem umas peças lá que podemos ver bem de perto, muito impressionante os detalhes de cada uma. Elas originalmente eram coloridas mas a pintura se perdeu com o tempo. As armas encontradas junto com os guerreiros foram analisadas e descobriram que elas tinham uma proteção contra a corrosão de cromo, técnica que só foi ‘descoberta’ em 1937 comprovando que os chinezes dominavam técnicas de metalurgia desde aquela época.

Um dos guerreiros que podemos ver de perto

O guerreiro e seu cavalo
No galpão maior onde tem cerca de 1000 guerreiros restaurados
Guerreiros de Terracota, em posição de batalha

Meus dias em Xi’an estão preguiçosos, passo boa parte do tempo no albergue que tem um ambiente bem aconchegante, um café que serve de ponto de encontro, um bar no subsolo e uma mesa de ping pong que eu passo horas jogando com os chineses. Ou então fico circulando nas redondezas, no bairro islâmico, simplesmente para viver o cotidiano de uma cidade chinesa. Assisti a um show aquático de chafarizes numa praça em frente à uma pagoda com músicas e luzes, é o maior show desse tipo na Ásia, chinês é bom pra fazer essas coisas. Xi’an é uma das poucas cidades na China que ainda tem um muro enorme circundando o centro da cidade sendo também uma das atrações.
Bar do albergue
Albergue em Xi'an
Night market no bairro islâmico
Chineses do bairro islâmico
Bell Tower em Xi'an

Sinto que eu assimilei muita coisa da estranheza da China. Andando pelas ruas, cada vez menos vejo coisas novas que me causam aquele choque que senti quando pisei aqui pela primeira vez. Ainda me impressiono por tudo isso ser China, claro, porém sem franzir a testa por ser estranho. Depois de mais de 17 cidades nesses quase dois meses já estou bem mais ambientalizado e sentindo que está na hora de partir pra outro país.











Chinezices

Xi'an - China, 02 de Março de 2011.  

Separei mais algumas coisas bem comuns que tenho visto por aqui. A China em carne e osso é um pouco diferente de muita coisa que se diz por aí e que eu já vi na internet.  Muitos mitos devem surgir com reportagens de coisas exóticas do país que as pessoas acabam generalizando. Não vamos longe, no Brasil mesmo, o pessoal do sul e sudeste ainda pensa que no norte do país só tem índio e tem jacaré andando na rua....
Tem alguns mitos acerca dos costumes na China que não tem fundamento, tipo pensar que eles comem cachorro e outros bichos nojentos normalmente... isso não é comum e a maioria rejeita essas coisas. Geralmente insetos fritos são vendidos em lugares com grande concentração de turistas como a Av. Wangfujing em Beijing. Por exemplo, morei no interior do Amazonas onde alguns descendentes de índios  comiam tucanos, araras, macacos...e não seria certo generalizar, dizendo que ‘os brasileiros’ comem isso.
 Arrotar logo depois da refeição é sinal que apreciou a refeição: papo furado. Eles arrotam muito mas sem motivo algum...
Deixar alguma comida no prato é indelicadeza, principalmente com o cozinheiro: papo furado, pois eles desperdiçam muita comida. E pelo contrário, raspar o prato ás vezes, é sinal que ainda quer comer mais.
Refeições em grupo seguem um ritual, não existe prato individual, os pratos são comunitários onde todos se servem diretamente nele, só o arroz que cada um tem sua tigelinha. Eles têm a hora da refeição como uma forma de confraternizar, assim como nós nos reunimos para tomar uma cerveja num barzinho, eles se reúnem em restaurantes movimentados e barulhentos para comer e descontrair. Já aconteceu comigo algumas vezes de eles oferecerem um jantar ou almoço e fazerem questão de pagar, é até indelicado insistir muito para pagar.
Os idosos fazendo exercício nos parques, independente do frio. Velhinhos com mais de 80 anos fazendo Tai Chi Chuan, alongamento ou simplesmente se movimentando.
Eles são muito envergonhados, se cumprimentam só com um movimento de cabeça ou no máximo um aperto de mão. Beijinho e abraço nem pensar. Eles adoram chamar a gente para bater foto mas ás vezes quando abraçamos na hora da foto, eles morrem de vergonha. A China até um tempo atrás era fechada para o resto do mundo, e os estrangeiros ainda são uma atração, além de pedir pra bater fotos, eles nos fazem um monte de perguntas bem curiosas, se admiram com nossos pêlos no braço e barba.
O preço exibido nunca é o real, eles sempre dizem o preço e esperam a reação pra dar o desconto. Uma peça custa Y280 e acabamos comprando por Y50. Eles adoram enrolar os outros, principammente gringo, ‘esquecem’ de dar troco e coisas do tipo.
 A quantidade de coisas falsificadas dispensa comentários, se eles exportam para o mundo inteiro, imagina somando com os produtos que não saem daqui.
Uma bebida muito consumida é o Bai jou, uma espécie de cachaça de arroz que chega a incríveis 56% de graduação alcoólica.
Fotos do Mao Tsé-Tung espalhadas pra todo lado.
Nas casas quase sempre tem uns dizeres de boa sorte e felicidade(o ‘Fu’ , da minha tatuagem, é muito comum na porta das casas e estabelecimentos comerciais).
Eles não aceitam gorjeta. Se a conta deu Y14 , a gente paga Y15 e diz que tá certo, eles dizem que não e te dão o troco.
É impressionante a agilidade com que eles preparam o macarrão nos restaurantes. Em um minuto uma bola de massa se transforma numa porção de macarrão bem fininho tipo espaguete, prefeito, parece que saiu do pacote e com mais uns 20 segundos de fervura ele já está pronto na tigela na nossa frente. Tem indícios de o macarrão já existir na China há milhares de anos, talvez até tenha sido inventado aqui, foi chegar na Itália muito depois.
 Não é tão comum o trânsito de bicicletas como se imagina, talvez fosse assim a 10-20 anos atrás. Vemos mais mobiletes elétricas como meio de transporte e as  bicicletas normais são mais usadas para transportar carga em alguma carroceria acoplada nela.